Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: como sair do relatório e entrar na gestão estratégica


Conteúdo
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aparecem em relatórios de sustentabilidade de empresas dos mais variados portes e setores no Brasil.
O problema é que a maioria dessas organizações para no relato, sem chegar à uma gestão aplicável ao dia a dia corporativo.
Neste artigo, vamos mostrar como qualquer organização (empresa, cooperativa, OSC ou instituto) pode transformar os 17 objetivos da Agenda 2030 em indicadores concretos e integrados ao planejamento estratégico do dia a dia.
Com 2030 como horizonte, o tempo de ajuste está se estreitando. E as organizações que fizerem essa transição primeiro vão ganhar em credibilidade, em acesso a novos parceiros, em inteligência de gestão e em impactos sociais positivos.


O que são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o que eles pedem das organizações?
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são 17 metas globais estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, no âmbito da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Os ODS cobrem temas que vão da erradicação da pobreza à ação climática, passando por igualdade de gênero, educação de qualidade e crescimento econômico inclusivo.
Eles se organizam em torno de três dimensões interdependentes (econômica, social e ambiental), que também são o mesmo tripé que sustenta a gestão ESG nas empresas.
Leia também: Triple Bottom Line: por que é importante para as organizações?
Por que as organizações devem se importar com os objetivos de desenvolvimento sustentável?
Embora os ODS tenham sido estabelecidos em acordos entre governos, sua implementação depende do setor privado, da sociedade civil e de organizações de todos os tipos.
As empresas são os principais motores de emprego, inovação e investimento. E é nas suas cadeias de valor que os maiores impactos positivos ou negativos acontecem.
Ignorar os ODS não é uma posição neutra, mas sim uma escolha de não medir o impacto que a organização já produz.
Na prática, os objetivos de desenvolvimento sustentável pedem quatro ações corporativas:
- avaliar quais objetivos são relevantes para a realidade do negócio;
- definir metas concretas e mensuráveis para cada objetivo material;
- monitorar indicadores com frequência e definir responsabilidades;
- e comunicar resultados de forma transparente para stakeholders.
A maioria das organizações executa bem o primeiro e o último, mas pula os processos de definição de metas e monitoramento de indicadores.
Por que medir impacto nos objetivos de desenvolvimento sustentável?
Usar ODS como narrativa significa listar os objetivos relevantes no relatório anual e associá-los a ações já existentes.
Usar ODS como gestão significa outra coisa: definir metas SMART por objetivo, designar responsáveis, monitorar periodicamente e ajustar planos quando os indicadores mostram desvio.
A diferença parece sutil no papel. Na prática, ela diferencia as empresas que sabem sair do planejamento e executar a estratégia.
O risco do discurso na reputação organizacional
Muitas organizações associam seus ODS de forma genérica: “geramos empregos, então contribuímos com o ODS 8.”
Isso pode ser verdade, mas sem indicadores específicos, a afirmação não é verificável. Com a pressão crescente por transparência ESG no Brasil e no mundo, relatos vagos são cada vez mais interpretados como greenwashing mesmo quando não há má intenção.
Segundo dados da Comissão Europeia e de reguladores de mercados de capitais em diversas jurisdições, o escrutínio sobre declarações ESG sem evidência mensurável aumentou significativamente entre 2022 e 2024, com propostas de regulação em vigor em mercados como União Europeia e Reino Unido.
No Brasil, o tema avança pela agenda da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que publicou a Resolução 193/2023 estabelecendo um cronograma de adoção dos padrões internacionais ISSB para divulgação estruturada de riscos climáticos e ESG. A obrigatoriedade para companhias abertas é a partir de 2026.
Com essa resolução, o Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a adotar os padrões do ISSB (Conselho Internacional de Normas de Sustentabilidade) em suas normas de divulgação de informações de sustentabilidade.
Como estruturar o monitoramento dos ODS na sua organização?
Passo 1: Analise a materialidade: quais ODS são realmente seus?
Não é necessário e nem recomendável trabalhar com todos os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável.
O ponto de partida é identificar quais têm relação direta com a atividade, o impacto e o público da empresa.
Alguns exemplos práticos:
- Empresa de logística: relação forte com ODS 8 (trabalho decente), ODS 11 (cidades sustentáveis) e ODS 13 (ação climática).
- Cooperativa de crédito: foco natural em ODS 1 (erradicação da pobreza), ODS 8 e ODS 10 (redução das desigualdades).
- OSC de educação: prioridade em ODS 4 (educação de qualidade) e ODS 10.
Definir os ODS materiais é o que torna o monitoramento viável e transparente. Tentar abraçar os 17 é o caminho mais rápido para não medir nenhum.
Passo 2: defina 2 a 3 indicadores concretos por ODS material
Um indicador concreto apresenta três características inegociáveis: é mensurável, tem fonte de dados definida (ou seja, todos sabem a origem da informação) e tem responsável pela coleta.
Sem essas três condições, o indicador é somente uma intenção, não uma métrica.
Passo 3: estabeleça linha de base e meta antes de começar a medir
Um indicador sem meta é apenas um dado histórico. Para transformar os ODS em gestão, é preciso definir onde a organização está agora (linha de base) e onde quer chegar em um período determinado.
Exemplo: “Hoje temos 320 colaboradores com carteira assinada. Meta para 2026: 400, com 40% de mulheres em cargos de liderança.” Isso transforma o ODS 8 em agenda de melhoria contínua.
Passo 4: integre os ODS ao planejamento estratégico
Este é o passo mais ignorado e o mais importante. Os ODS precisam aparecer no mesmo painel onde estão os indicadores financeiros, operacionais e de satisfação do cliente.
Quando a liderança revisa resultados trimestrais, os indicadores de impacto também precisam estar na pauta.


Passo 5: defina um responsável para cada indicador
Para cada ODS monitorado, é preciso designar uma pessoa responsável pela coleta do dado, com frequência definida e registro em um ambiente acessível à liderança.
Delegar essa responsabilidade para uma área não é indicado. Afinal, o senso de responsabilidade também se perde.
Passo 6: comunique em múltiplas camadas, com linguagem adaptada a cada público
A prestação de contas de impacto, assim como a comunicação da estratégia, precisa considerar três aspectos: o público, a frequência e o tipo de linguagem.
| Público | Frequência recomendada | Linguagem |
| Liderança interna | Trimestral | Dados precisos, variação vs. meta, alertas |
| Stakeholders primários (cooperados, clientes, beneficiários) | Semestral ou anual | Percentuais e histórias de impacto |
| Parceiros institucionais e investidores | Anual | Indicadores padronizados GRI, SASB ou equivalente |
Quais indicadores usar para mensurar objetivos de desenvolvimento sustentável?
Cada organização deve selecionar os indicadores que refletem sua realidade, definir como medi-los com os dados que já possui e evoluir a metodologia ao longo do tempo.
O importante é começar com poucos indicadores bem medidos, não com muitos mal alimentados.
A tabela abaixo é um ponto de partida.


O modelo cooperativista possui características únicas de monitoramento que ampliam a relevância dos ODS.
Resultado ao cooperado, impacto comunitário e governança participativa são dimensões que empresas tradicionais raramente conseguem medir com a mesma profundidade.
A ONU declarou 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, reforçando o papel dessas organizações na implementação da Agenda 2030.
Leia também: Planejamento estratégico em cooperativas: o que é e como fazer?
Erros comuns no monitoramento de ODS e como evitá-los
Separar o monitoramento de ODS da gestão do dia a dia
Quando os ODS vivem em um relatório anual produzido pelo time de comunicação, nunca entram na pauta de decisão da liderança.
O indicador de impacto social precisa estar no mesmo ambiente que os indicadores de negócio, ter a mesma frequência de revisão e contar com o mesmo nível de atenção.
Não definir responsável pela coleta do dado
Para cada ODS monitorado, é preciso nomear uma pessoa responsável pela coleta, com frequência definida e canal de registro claro. Sem isso, o dado envelhece em silêncio.
Associar ODS a ações em vez de a resultados
“Realizamos 3 campanhas de educação ambiental” é uma entrega. “Reduzimos o volume de resíduos descartados incorretamente em 40% no último exercício” é um resultado.
O ODS bem monitorado acompanha mudanças, não uma lista de atividades realizadas.
Os erros acima convergem para dois problemas estruturais: a separação entre ODS e estratégia e a falta de responsável claro por cada indicador.
Para solucionar esses gargalos, uma plataforma de gestão ou software de execução estratégica pode ser o melhor caminho para consolidar dados e processos.
O Stratws One, por exemplo, permite criar KPIs de impacto social e ambiental no mesmo ambiente onde vivem os indicadores financeiros, operacionais e de desempenho de pessoas — com metas, histórico de evolução e responsáveis definidos.
O resultado dessa integração traz transparência, maturidade de gestão e governança corporativa.


FAQ: dúvidas frequentes sobre objetivos de desenvolvimento sustentável
O que são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?
Os ODS são 17 metas globais estabelecidas pela ONU em 2015, como parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. São organizados em torno de três dimensões (econômica, social e ambiental) e se aplicam a governos, empresas, cooperativas e organizações da sociedade civil.
As empresas são obrigadas a reportar os ODS?
No Brasil, não há obrigatoriedade legal de reporte de ODS para a maioria das empresas. Porém, organizações que dependem de investimento, crédito ou parcerias institucionais enfrentam pressão crescente por transparência mensurável.
Quantos ODS minha empresa precisa adotar?
Não há obrigação de trabalhar com todos. A recomendação é identificar os ODS materiais (aqueles com relação direta à atividade, ao impacto e ao público da organização) e concentrar esforços neles.
Qual é a diferença entre ODS e ESG?
ESG (Environmental, Social and Governance) é um framework de avaliação de riscos e desempenho empresarial, amplamente usado por investidores. Os ODS são uma agenda de metas globais da ONU. Os dois se complementam.
Como integrar o monitoramento de ODS ao planejamento estratégico da empresa?
O passo fundamental é tirar os indicadores de ODS do relatório de sustentabilidade e colocá-los no mesmo ambiente dos indicadores financeiros e operacionais. Isso exige definir metas mensuráveis, atribuir responsáveis pela coleta e revisar o desempenho com a mesma frequência que os demais KPIs estratégicos.
Toda organização produz impacto. Em empregos gerados, em resíduos descartados, em acesso a serviços, em formação de pessoas.
A questão é como esses impactos são rastreados, gerenciados e comunicados de forma que oriente decisões.
As empresas que transformarem esse impacto em dado rastreável, meta gerenciável e resultado comunicável não estão apenas cumprindo uma agenda global.
Estão construindo credibilidade, atraindo parceiros estratégicos e tomando decisões melhores com dados que já têm ou que podem começar a coletar hoje.
O caminho começa com 3 ODS materiais, 2 indicadores cada e um responsável por coleta.
Quer entender como conectar sua estratégia de impacto ao planejamento estratégico? Conheça as funcionalidades do Stratws One.