Remuneração variável no Brasil: pesquisa da Siteware revela que 83,5% das empresas têm dificuldade para fechar o ciclo de RV

Raquel Marinho

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A remuneração variável no Brasil deixou de ser pauta exclusiva de áreas comerciais ou grandes corporações. Ela cresceu em adoção, ganhou peso estratégico e hoje é discutida como ferramenta de alinhamento entre pessoas, metas e resultados.

Mas o que o mercado realmente faz quando o assunto é RV? Quais modelos são mais adotados? Onde os programas travam? O que os colaboradores enxergam sobre transparência?

Para responder a essas perguntas, a Siteware conduziu o Panorama Nacional de Remuneração Variável 2026: uma pesquisa com 338 respondentes de empresas brasileiras de diferentes nichos, realizada entre janeiro e março de 2026.

Este artigo traz um recorte dos principais achados. Para ter acesso à análise completa, com cruzamento de dados por setor e porte, palavra de especialistas como Fernando Teixeira (sócio da Kienbaum Brasil) e Luiz Torres (CHRO da Siteware), além de benchmarks globais de compensação, baixe o material completo e gratuito.

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Qual é o cenário atual da remuneração variável no Brasil?

A remuneração variável é a parcela da remuneração total atrelada a metas, resultados e desempenho. Ela pode assumir diferentes formatos de incentivos de curto prazo, como bônus, comissão, participação nos lucros, entre outros.

Mais do que uma forma de pagamento, a RV funciona como instrumento de gestão, direcionando foco, reforçando a cultura de performance e conectando o trabalho individual aos objetivos estratégicos do negócio.

No Brasil, sua adoção cresceu ao longo dos últimos anos, mas com variações expressivas de maturidade.

Há empresas com programas maduros, metas diversificadas e processos automatizados. E há aquelas que ainda dão os primeiros passos, com programas simples, operação manual e pouca visibilidade para os colaboradores.

O que o Panorama Nacional de RV revelou?

A seguir, apresentamos um recorte dos principais dados sobre o estágio atual da remuneração variável no mercado brasileiro e onde estão os principais pontos de atenção.

PLR/PPR lidera, mas os programas ainda são simples

O PLR/PPR foi apontado como o modelo mais adotado, presente em 44,6% das empresas pesquisadas.

Isso indica que o mercado ainda opera predominantemente com modelos baseados em resultado organizacional geral, com menor sofisticação na diferenciação por área ou desempenho individual.

DadoPercentual
Modelo mais adotado: PLR/PPR44,6%
Organizações que incluem todos os colaboradores no programa de RV46%
Empresas com apenas um tipo de meta no cálculo da RV50,9%

Ou seja: na maioria das empresas, o incentivo ainda é restrito à liderança ou às áreas comerciais, e o critério de cálculo é pouco diversificado.

Metas são o principal ponto de falha

Quando perguntadas sobre os pontos de falha mais comuns nos programas de RV, 40,6% das empresas apontaram as metas como gargalo, antes mesmo de questões de cálculo, comunicação ou tecnologias de apoio.

Isso faz sentido: se as metas são mal definidas, pouco mensuráveis ou percebidas como injustas, o problema compromete o programa antes mesmo de chegar à apuração.

Quer saber mais? Veja como estruturar as metas para PLR de forma eficaz e defensável.

Planilhas ainda dominam o processo de RV

Um dos dados mais reveladores da pesquisa diz respeito à infraestrutura usada para operar os programas: 61,3% das empresas ainda têm planilha em alguma etapa do processo de RV.

Além disso, 83,5% dos respondentes relatam esforço alto ou muito alto para fechar o ciclo.

A dúvida entre panilha ou software de remuneração variável é comum e não há resposta certa ou errada.

A gestão manual por planilhas é uma opção viável para empresas pequenas, com poucos indicadores e ciclos simples.

Mas, para organizações com mais elegíveis, indicadores diversos e maior complexidade, as planilhas expõem o negócio a riscos reais de governança, erros no fechamento dos números e falta de engajamento.

Transparência ainda é exceção, não regra

Mais da metade dos colaboradores não têm acesso ao histórico da própria remuneração variável.

Esse é um dos dados mais impactantes do Panorama, e um dos que mais revelam sobre a maturidade dos programas.

Quando o colaborador não consegue acompanhar o progresso das metas, não sabe como o cálculo funciona e não tem visibilidade sobre o próprio histórico de pagamentos, o programa perde credibilidade.

Quais são os principais desafios na gestão de RV?

Os dados do Panorama convergem para três grandes desafios estruturais quando o assunto é gestão da remuneração variável:

  1. Metas mal definidas ou desconectadas da estratégia
  2. Operação manual com alta dependência de planilhas
  3. Comunicação fragmentada e falta de visibilidade

1. Metas mal definidas ou desconectadas da estratégia

Quando o que se mede não reflete o que o negócio quer alcançar, o programa de RV perde coerência.

Colaboradores que não entendem a relação entre o trabalho que exercem e os indicadores avaliados tendem a se desengajar, mesmo que o pagamento aconteça.

2. Operação manual com alta dependência de planilhas

A planilha pode funcionar em programas simples e pequenos. À medida que a iniciativa é expandida (mais elegíveis, mais tipos de meta, mais exceções) o risco e o custo de uma operação manual aumentam em erros, retrabalho e falta de rastreabilidade.

3. Comunicação fragmentada e falta de visibilidade para o colaborador

O Panorama também mostrou que quase 27% das empresas respondentes ainda não têm qualquer estrutura formal de comunicação da RV com os colaboradores.

Quando a informação é recebida informalmente ou de maneira tardia, o programa perde seu efeito motivacional e passa a ser percebido como arbitrário.

Como estruturar um programa de RV mais eficiente?

Os dados do Panorama apontam prioridades claras para 2026: 66,1% das empresas querem automatizar o processo de RV, 60,4% querem aumentar a transparência para os colaboradores e mais de 50% querem melhorar a definição e a gestão das metas.

Essas três frentes formam uma agenda coerente de evolução e pedem por práticas e evolução na gestão da política de remuneração variável para sustentar todo o processo:

  • garanta que o que está sendo medido é relevante, mensurável e compreensível para quem será avaliado;
  • dê visibilidade ao longo do ciclo, não apenas no fechamento;
  • diversifique os tipos de meta por área e, se possível, desempenho individual;
  • automatize para reduzir esforço operacional e aumentar a governança corporativa.

No Panorama, explicamos diferentes cenários e trouxemos a opinião aprofundada de especialistas no assunto.

A RV como termômetro de maturidade de gestão

Um dos insights mais reveladores do Panorama é que a mentalidade das lideranças evoluiu mais rápido do que os processos.

50,5% dos respondentes já associam a RV à conexão de propósito da empresa, enxergando o programa como ferramenta de alinhamento estratégico.

Mas essa visão não chegou à operação. As planilhas ainda dominam, a transparência é exceção e o esforço para fechar o ciclo ainda é alto.

Com os resultados do Panorama, percebe-se que programas de remuneração variável bem estruturados compartilham um padrão: metas diversificadas, processos automatizados, governança e comunicação estruturadas.

Esse padrão não é complexo de implementar, mas exige que a infraestrutura de gestão acompanhe a intenção estratégica. O primeiro passo é entender onde a sua empresa está nessa jornada.

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