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03/02/2012

Os tipos de grupos de aplicação do MASP

A resolução sistemática de problemas sempre faz uso de métodos estruturados – como o MASP – e um determinado conjunto de ferramentas da qualidade. Os relatos sobre a aplicação do MASP nas empresas escondem uma disputa sutil: insistir no uso rigoroso do método ou buscar obcecadamente o resultado desejado? Autores das técnicas japonesas tendem a defender o uso rigoroso do método como a melhor forma de alcançar resultados. No entanto, é justamente sobre este rigor que se baseiam os críticos do MASP, pois isso enrijeceria a solução de problemas e a tomada de decisão, devido a fatores restritivos como a limitação do homem administrativo, aos processos heurísticos, a urgência e tudo aquilo que conspira contra a racionalidade. A resposta para essas objeções é a flexibilidade do MASP para se ajustar a diferentes situações, como a ênfase em determinadas etapas.

Existem basicamente dois tipos de grupos que usam métodos de solução de problemas com propósitos distintos. O Círculo de Controle da Qualidade é uma atividade voltada para o desenvolvimento das pessoas, principalmente na capacidade de controlar a qualidade. O grupo de melhoria é um grupo interfuncional de pessoas, escolhidos pela gerência para resolver problemas específicos, com tema, prazo de execução e resultados previamente estabelecidos pela empresa. O quadro abaixo apresenta as principais diferenças entre esses dois tipos de grupos.

Aspecto CCQ Grupo de Melhoria
Compromisso do grupo Aprendizado Resultado
Membros Voluntários Convocados
Composição de membros Intrafuncionais Interfuncionais
Quem escolhe o tema e a coordenação O grupo A empresa
Método utilizado MASP ou QC-Story MASP, PDCA, DMAIC
Aplicação do método Rigoroso Flexível
Duração Indeterminada Determinado; ad hoc
Papel do problema Meio Fim
Ambiente de desenvolvimento Estimulante Exigente
Etapas mais enfatizadas Todas igualmente Plano de Ação e Ação
Impacto nos resultados Pequeno ou médio Alto

Enquanto o CCQ possui um propósito baseado no aprendizado dos membros, o Grupo de Melhoria está focado na obtenção de um resultado específico. Todos os demais aspectos decorrem dessa diferença básica, pois abordam escolhas que favorecem uma ou outra abordagem. No caso do CCQ a organização precisa criar um ambiente de estímulo ao aprendizado, o que se dá dentro de um grupo mais limitado e voluntário de pessoas, em que esses tomam decisões quanto à sua organização e ao tema sobre o qual irão trabalhar. O problema exerce um papel coadjuvante, uma vez que é o rigor na aplicação completa do método que serve de base para o desenvolvimento humano e profissional dos circulistas.

Por sua vez, a estruturação do Grupo de Melhoria percorre caminhos que são fundamentais para que o grupo consiga os resultados desejados. Os problemas são normalmente de natureza multidisciplinar e sistêmicos, priorizados pela própria organização. Os grupos seguem a estrutura adhocrática, cujos membros são escolhidos pela gerência e são mais livres para escolher seu método, ferramentas e priorizar etapas. O resultado é o fim e, devido a isso, as etapas enfatizadas são aquelas relacionadas à sua obtenção. A natureza e o propósito dos dois tipos de organização das equipes onde o MASP é aplicado, podem desencadear conseqüências organizacionais distintas. O CCQ pode propiciar mais geração de aprendizado devido à realização de todas as suas etapas com rigor. No entanto, a natureza pragmática do Grupo de Melhoria pode trazer maiores benefícios econômicos. Cabe à organização decidir qual utilizar: se o CCQ, o Grupo de Melhoria ou ambos.

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Claudemir Y. Oribe é mestre em administração de empresas PUC Minas/Fundação Dom Cabral, sócio consultor da Qualypro – claudemir@qualypro.com.br

Fonte: Revista Banas Qualidade – Ano XXI Nº 234